O Golpe das Moedas

downloadComo de costume, faço compras num grande mercado, situado no bairro do Flamengo no Rio de Janeiro. Ao pagar pelas minhas compras que deu um total de trinta e sete reais e sessenta e oitos centavos, a caixa perguntou se eu tinha moedas para facilitar o troco. Por esta sem óculos, peguei todas as moedas que estavam na minha carteira, e coloquei na palma da minha mão para que ela contasse as moedas necessárias para o pagamento e facilitação do troco. Ela pediu para que eu colocasse as moedas na esteira que puxa as compras, inocentemente coloquei as moedas. Ela acionou a esteira e foi-se as moedas para o buraco onde corre a esteira. Nesse momento ela espantou-se, lamentou-se etc…

Pedi a ela para tirar as moedas, o que ela, a caixa, disse ser impossível.

– Como assim impossível? Perguntei em tom zangada.

– Não tem como tirar! Me disse rapidamente.

Desmontou a balança que fica bem de frente a ela e me mostrou que não havia como pegar.

Pedi para chamar o gerente, que veio num passinho tão lento que pensei que ele nunca fosse chegar.

Nesse momento o pessoal da fila começou a reclamar o que não me importou nem um pouco.

O gerente com um tom de lamento disse não poder fazer nada, só quando viesse o técnico para desmontar a balança é que poderia tirar as moedas. Imediatamente falei que havia sido um erro do próprio caixa que acionou a esteira e que então deveria descontar das minhas compras.

A pergunta bem ensaiada foi imediatamente:

– E a senhora sabe quanto tinha em moedas? Como vou descontar um valor que não sabemos quanto foi.

Imediatamente calculei um valor, pois sabia que tinha duas moedas de cinquenta centavos, duas de dez centavos e o resto deixei passar, pois não me lembrava, mais era em torno de quinze centavos em moedas de cinco centavos.

– Tinha um real e vinte centavos e cinco centavos em moedas bem trocadas.

O Povo na fila reclamando.

Acho engraçado o povo.

Quando estamos reivindicando algo ao nosso favor o povo começa a reclamar de tal forma que parece que somos nós, as vítimas, as culpadas.

Um senhor na fila disse que era para eu deixar para lá, porque eram somente moedas. Como se moedas não fossem dinheiro!!!!

Falei para esse senhor que se eu não tivesse as moedas, não me venderiam a mercadoria.

Uma mulher meio quarentona disse que eu era Unha de Fome, fazendo questão de moedas e parando a fila, que todos ali precisavam trabalhar e estavam com pressa.

Como se eu fosse uma desocupada e que nada tivesse para fazer.

A caixa ainda argumentou comigo que esse valor seria descontado do salário dela, o que imediatamente eu disse que assim, ela vai ter mais atenção e não cometer o mesmo erro. Ao sair do caixa com tudo devidamente esclarecido e ressarcido, parei numa lanchonete dentro do mesmo mercado para tomar um café.

Um senhor de aproximadamente oitenta anos, bateu nas minhas costas e me deu os parabéns por eu fazer valer o meu direito.

Ele completou me dizendo que já caiu no mesmo golpe e que foram muitas moedas de um real e de cinquenta centavos. Disse que também aconteceu com um vizinho e que isso estava se tornando um golpe bem esperto dos caixas desse mercado.

O atendente da lanchonete, ouvindo tudo, adentrou na conversa e disse que toda hora está acontecendo isso no dito mercado.

Meu pouco dinheiro é fruto do meu trabalho árduo, jamais deixaria de valer os meus direitos estando eu nos meus direitos.

Se foi golpe ou não eu não sei, mais comigo a caixa não se deu bem ou melhor se fudeu.

A partir de hoje, coloco os óculos e conto eu mesma as moedas, na minha própria carteira ou nas minhas mãos, evitando assim uma tentativa de golpe ou apenas um ocorrido sem querer querendo.

Pelo sim, pelo não, tomem cuidado! O seguro morreu de velho!

 

Kika

About Kika

Meu nome já não importa, mais meu apelido é Kika. Sou carioca da gema, do signo de peixes. Já passei da idade dos sonhos. Por incrível que possa parecer, ainda não descobri a minha missão e no momento não estou fazendo questão. Amo a natureza e todos os seus habitantes. Gosto de ir ao cinema, ao teatro. Quase sempre escuto o bom Blues. Procuro sempre me manter ocupada, isso me faz esquecer os problemas e a solidão. Não gosto de situações aborrecidas e tediosas e muito menos ter que ser simpática quando não o quero ser e nunca me importo com o que falam de mim ou pensam ao meu respeito. Sou direta e nunca faço rodeios. Tenho vários defeitos e não faço questão de corrigi-los. Sou assim e pronto! Desejo que você goste da minha NAVE e qualquer contato é só deixar o seu recado que eu retorno. Muita paz a todos!

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