Barulhos.

Meu Deus! Tenho a impressão que moro no lugar mais barulhento da face da terra, ou será que já estou ficando rabugenta?

Moro na Zona Sul do Rio de Janeiro, num bairro com muitas facilidades, incluindo conduções para qualquer canto da cidade. O problema é que ultimamente o barulho da vizinhança do meu prédio tem sido insuportável, pelo menos para mim.

No mesmo prédio onde eu moro tem dois apartamentos em reformas. Um no segundo andar abaixo do meu apartamento e o outro no terceiro andar dos apartamentos de frente.

O barulho das ferramentas de construção e reforma é algo ensurdecedor. Podemos ouvir a quilometro de distância e causa tremor no nosso apartamento. Aqui eles começam a trabalhar com essas máquinas às oito horas sem dó nem piedade e vão aproximadamente até às cinco horas da tarde.

Meu vizinho do sétimo andar só fala ao telefone ou celular na janela, não importando a hora que for. Ele briga com a pessoa que ele esta falando, ele rir, ele conta casos até mesmo particularidades. É dose viu! Tenho a impressão que ele esta dentro do meu quarto.

O filho do síndico é desses meninos mimados e que os pais fazem todas as vontades. Ele é um menino meio agressivo que chuta a sua canela da gente só porque você falou que ele é bonitinho. Às cinco horas da tarde, ele chega da escola. Já no rol do prédio podemos ouvir os seus gritos mimados e quando chega a casa, o pai começa a brincar com ele. Correm e gritam tanto pela casa que outro dia uma mulher gritou do andar de cima para fazerem silencio e olha que ele é o síndico hein!

O fundo do meu apartamento faz vista para uma vila de seis casas. Antes moravam idosos e era um silêncio só, porem, os idosos morreram e seus herdeiros assumiram as casas. Houve uma grande reforma, uma após outra e hoje a situação é a seguinte. Tem um morador jovem que reúnem todos os finais de semana os parentes e toma churrasco, cerveja e musica alta. Ele tem um cachorro da raça Box que fica na soleira da porta olhando para a rua e late o tempo todo.

Também, nessa mesma vila há uma senhora que ao meu entender deve ser a síndica da vila. Seis horas da manhã ela já começa a gritar, dando ordens, conversa com os moradores da casa e rir, sem contar com o telefone Nextel que fica apitando o tempo todo na mão dela e desenrola aquela conversa entre apitos. E o melhor de tudo da tal Vila é que a campainha não é nas casas, é do lado de fora do portão principal. Daí o dia todo toca aquela campainha e a tal mulher grita, perguntando o que é. É o gás, o correio, o mercadinho etc. E se por acaso é visita para algum morador das casas da Vila ela grita o nome do morador avisando quem esta no portão. É dose amigo leitor.

No apartamento colado ao meu, mora um casal de intelectuais, são escritores, antropólogos e professores universitários. A mulher trabalha a maior parte do tempo em casa onde ela montou em uns dos quartos o seu escritório. Tudo bem se não fosse o telefone dela ficar na sala e suponho que bem colado a minha parede da sala de estar. Então o telefone toca o dia todo e ela deixa na secretaria eletrônica bem alta, para ela escutar do escritório dela. Então escutamos perfeitamente o tilintar do telefone e os recados deixados.

Ainda, o meu vizinho de frente, um senhor meio estranho, coloca a sua chaleira que apita, no fogo e não escuta a chaleira apitar quando a água ferve, fica aquele apito por todo o corredor.

Pela manhã, entre sete e meia e oito horas, tem dois moradores que vão tirar seus carros para ir ao trabalho, acontece que os dois são ruins de rodas e por ser a garagem apertada, eles contam com a ajuda do porteiro que fica gritando as manobras que os motoristas devem fazer:

– Ai, ai… Desfaz o jogo… Joga tudo pra esquerda… Agora alinha… Vem, vem… Aiiiii. E o pior de tudo, é que o pé fica pesado na embreagem fazendo aquele barulho característico do motor.

Minha vizinha de cima, sai para trabalhar entre seis horas e sete horas da manha e anda com salto alto pela casa toda. Fica já de manha aquele toc… Toc… Toc…

Uma empregada de um morador escuta musica sertaneja e forró o dia todo e junto com a música alta ela canta e grita o nome do filho avisando de alguma atividade a ser feito pelo menino.

Outro morador esta aprendendo a tocar piano e duas vezes na semana, fica aquela coisa tocando a mesma nota sem desenvolver musica nenhuma e olha que ele já esta alguns anos aprendendo. Bom! Melhor que bateria né não?

No prédio colado ao meu é o barulho da sirene quando sai carro da garagem. O dia todo aquela merda toca.

E para fechar com Chave de Ouro, às onze horas da noite chega o caminhão da coleta do lixo, que além do motor que faz um barulho alto, os garis gritam e provocam algazarras ao jogarem o lixo na caçapa do caminhão.

Quero ficar rica para poder comprar uma casa na roça e só ouvir os grilos, mugido dos bois e o som do vento, deitada numa rede olhando a relva verde e tomando água de coco.

Enquanto não sou abençoada com tal desejo comprei tampões de ouvidos, para desespero de meu filho que fala comigo e eu não escuto. Tomara que ele grite bastante para também incomodar os meus vizinhos.

Kika

About Kika

Meu nome já não importa, mais meu apelido é Kika. Sou carioca da gema, do signo de peixes. Já passei da idade dos sonhos. Por incrível que possa parecer, ainda não descobri a minha missão e no momento não estou fazendo questão. Amo a natureza e todos os seus habitantes. Gosto de ir ao cinema, ao teatro. Quase sempre escuto o bom Blues. Procuro sempre me manter ocupada, isso me faz esquecer os problemas e a solidão. Não gosto de situações aborrecidas e tediosas e muito menos ter que ser simpática quando não o quero ser e nunca me importo com o que falam de mim ou pensam ao meu respeito. Sou direta e nunca faço rodeios. Tenho vários defeitos e não faço questão de corrigi-los. Sou assim e pronto! Desejo que você goste da minha NAVE e qualquer contato é só deixar o seu recado que eu retorno. Muita paz a todos!

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