Meus hóspedes

Faz muito tempo que a minha casa não anda cheia de gente para quebrar satisfatoriamente a rotina e o posicionamento dos móveis e utensílios. Isso tudo mudou quando o jovem Thel, um típico alemão português com o pé no sul brasileiro veio passar uma agradável temporada em minha casa. Tudo aconteceu meio por acaso, uma vacilada da empresa onde trabalha, fazendo do meu novo amigo um sem teto literalmente. O problema julgado maior é que Thel não veio sozinho de Portugal, trouxe junto sua cria, uma felina lusitana de nome Mel, tão doce como o próprio nome, de olhos pequenos e azuis, de temperamento travesso.

Thel, transferido de Portugal para o Brasil, trabalha na mesma empresa do meu filho. É extremamente responsável, de educação europeia, vem sofrendo um bocado para se adaptar a cultura e (dese) educação brasileira. Muito sem jeito, penou um bocado aqui em casa, por não querer alterar os costumes da casa.

Com toda a gentileza carioca, tenho feito de tudo para que nosso hóspede sinta-se a vontade e enquanto ele sente-se incomodando, eu morro de vergonha por não poder lhe oferecer melhores acomodações e fartas refeições.

Habituado aos costumes europeu, ele arruma a sua própria cama, ajuda a lavar a louça e se deixar ele é capaz de sair fazendo faxina na casa. Sempre agradece por tudo e sabe elogiar o mínimo feito. Um verdadeiro lorde.

O problema é as nossas filhas de quatro patas que não estão se dando bem. Chininha e Mel ainda se estranham um bocado. Mel não deixou por menos e logo no primeiro dia já foi dizendo para a Chininha a que veio e Chininha por sua vez tenta dizer a Mel que a casa é dela.

No começo colocamos chininha com acesso aos quartos e corredor e Mel com acesso a sala e a cozinha e nos revessamos para não deixa-las sozinhas.  Para Mel nada é impossível, ela pula qualquer obstáculo e como boa portuguesa vai provocar a anfitriã. No começo a Chininha fugia e Mel se deliciava se sentindo a tal, a dona da situação. Agora é Chininha que volta e meia da uma corrida na Mel por estar insatisfeita quanto aos carinhos dedicados à outra.

Então… Resolvi não cercar mais nada e deixar as duas livres para qualquer embate. Até agora esta dando certo se não fosse às peripécias de Mel que a toda hora nos assusta.

Ao chegar a casa depois de uma manhã de trabalho fiquei louca procurando a Mel. Não achava de jeito nenhum. Mel havia desaparecido para o meu desespero. De tanto chamar pelo nome dela, resolveu miar baixinho, o suficiente para eu escutar e encontra-la. Estava em cima do armário da cozinha. Um lugar alto e de pouca acessibilidade. Chegou lá, subindo num banco, depois na bancada, na geladeira e se acomodou lá em cima.

Dias passados, recebi a visita de minha irmã com uma amiga. Na despedida, Mel aproveitou a porta aberta e saiu pelo corredor do prédio indo para no último andar. Thel, meu filho e eu ficamos loucos procurando.

Numa manhã, a vizinha começou a gritar o meu nome, era Mel que se aproveitou das janelas abertas e passou para a janela da vizinha.

Encantamos com todas essas peraltices de Mel, mesmo porque a Chininha, minha gatinha nunca fez essas artes. Acho que por já ser uma senhora ficou meio preguiçosa.

Thel fará uma breve viajem para ver seus pais e sua noiva, que estão no Sul do país e passará lá o Natal. Melzinha ficará comigo para deleite da Chininha. Como todo Natal, os vizinhos e eu abrimos as portas e fazemos uma só, terei que providenciar uma cancela para a porta porque é capaz da Mel aproveitar a brecha e desaparecer pelas casas alheias.

Toda essa agitação e alegria na casa vão acabar. Thel já esta fechando contrato com um novo e maravilhoso apartamento. Ainda bem que é pertinho daqui de casa, assim posso ir sempre lá ver a Mel.

Thel já é um queridíssimo e tanto meu filho quanto eu fazemos questão de estender essa amizade, afinal, não é sempre que se tem um Lorde como amigo e uma gata sapeca portuguesa.

Mel

 

Kika

About Kika

Meu nome já não importa, mais meu apelido é Kika. Sou carioca da gema, do signo de peixes. Já passei da idade dos sonhos. Por incrível que possa parecer, ainda não descobri a minha missão e no momento não estou fazendo questão. Amo a natureza e todos os seus habitantes. Gosto de ir ao cinema, ao teatro. Quase sempre escuto o bom Blues. Procuro sempre me manter ocupada, isso me faz esquecer os problemas e a solidão. Não gosto de situações aborrecidas e tediosas e muito menos ter que ser simpática quando não o quero ser e nunca me importo com o que falam de mim ou pensam ao meu respeito. Sou direta e nunca faço rodeios. Tenho vários defeitos e não faço questão de corrigi-los. Sou assim e pronto! Desejo que você goste da minha NAVE e qualquer contato é só deixar o seu recado que eu retorno. Muita paz a todos!

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