Fui abduzida!

THE 4400

THE 4400

Só agora me dei conta que não estou no meu lugar de origem. Exatamente como no seriado de Tv americana “The 4400”. Para quem assiste o seriado sabe do que estou falando. Para quem não assiste…  O tema central da série é que durante o ultimo século milhares de pessoas sumiram, foram dadas como mortas ou simplesmente desaparecidas. Só que desses milhares de pessoas, 4400 delas de diferentes anos do século reaparecem todas no ano de 2004. Mas, o seriado é só para ilustrar o que deve ter acontecido comigo.

Penso que fui abduzida e despejada aqui nesse planeta chamado Terra, sem nenhuma lembrança do que possa ter acontecido comigo. Não reconheço nada do que esta em minha volta e por muitas vezes custo a acreditar no que eu vejo e ouço. Isso me assusta bastante! Tenho flashes de lembranças que não condizem com esse mundo onde estou. São pequenas ações que chegam a minha memória diante de situações que acontecem no dia a dia e me fazem temer pela minha vida e de todos que assim como eu habitam esse planeta ou sei lá que mundo é esse.

Não reconheço nada! Não reconheço as pessoas, os lugares, a minha casa, aqueles que se dizem minha família, os que igualmente dizem serem amigos e até mesmo a cidade onde estou habitando.

As lembranças me mostram criança, brincando na rua com os amiguinhos de pique esconde, amarelinha, bicicleta, pula corda e outras variadas brincadeiras. Em nenhum momento havia ameaça de que alguém pudesse nos oferecer balas ou dinheiro em troca de sexo, que a bem da verdade na era assunto para nós e não fazíamos questão de conhecer esse tema. Nós éramos bem tratados pela nossa família e quando fazíamos alguma arte apanhávamos na bunda com o chinelo e nunca por causa disso, precisamos visitar o psicólogo ou psiquiatra e jamais nossos pais nos torturavam. Aprendíamos com a chinelada e não nos tornamos rebeldes com ou sem causa. Filhos não respondiam para os pais ou para as pessoas mais velhas e também não faziam parte das conversas adultas e nem assistiam TV depois das 20h00minh.

Nossos Super Heróis

Nossos Super Heróis

Os programas de tv eram baseados em nossas idades. Tínhamos os desenhos animados de Hanabarbera (A família Adamms, Bacamarte e Chumbinho, Bóbi Pai e Bóbi Filho, Carangos e Motocas, Careta e Mutreta, Fantasminha Camarada, a Feiticeira e a Formiga Atômica. Também assistíamos o Vigilante Rodoviário, Less e por ai vai).

A programação dos Jovens era Carlos Imperial com o Clube do Rock, O Clube do Bolinha, Jovem Guarda e o Programa do Chacrinha. Para os adultos tinha Um Instante Maestro, Balança mais mão cai, O Céu é o Limite, Jornais da noite e muitos filmes. Quando ligo a Tv vejo mulheres seminuas balançando a bunda, homens dançando segurando o membro sexual, crianças vestidas de adultas parecendo anãs e falando coisas que não posso acreditar que sejam crianças mesmo.

Também fisga a minha memória, as nossas casas amplas, com janelas e portas abertas onde sem pedir licença entrávamos e fazíamos parte da família do amiguinho em questão. Quando saíamos de nossas casas a chave ia para baixo do tapete ou simplesmente era depositada num vaso de planta e ninguém entrava nas casas sem a nossa permissão e os vizinhos ainda tomavam contam.  O que vejo nesse planeta, são pessoas invadindo moradias e não só nos matam nos mutilam e até estupram, para apoderar-se de nossos pertences.

Assim como eu, meus colegas estudavam em escolas públicas que eram escolas mantidas pelo Governo. Aprendíamos Matemática, Português (que era a Língua que falávamos) História, Geografia e Educação Cívica. (Alguém nesse planeta estuda ouestudou essa matéria?)

Escrevíamos em nossos cadernos de capa dura com figuras de nossos Super Heróis. Aprendemos a cantar o Hino de nosso País, de nossa Cidade e até mesmo de nossa Bandeira. Na hora do recreio tínhamos uma merenda que era um manjar dos deuses. Respeitávamos nossos professores, diretores e a única transgressão que cometíamos era jogar bolinhas de papel uns nos outros.

Escola

Escola

Fico totalmente perdida quando vejo as escolas abandonadas, com professores mal remunerados, despreparados e alunos de caráter duvidoso que usam a escola para fumar, fazer sexo, ouvir música e treinar em seus colegas, lutas de defesa pessoal. Não sabem ler, interpretar e muito menos fazer as quatros operações aritméticas. Não sabem os Hinos e ainda dizem que a letra e muito grande, mais decoram de trás pra frente musicas barulhentas com duplo significado a moral.  O que será que houve com as escolas desse mundo em que me largaram?

Na noite passada sonhei com as famílias que habitavam o mesmo planeta de onde eu vim. Lá, todos se amavam e costumávamos pedir benção aos nossos pais. Nós respeitávamos nossos pais, acima de qualquer coisa. Reuníamos a mesa, nas quatro refeições diárias, (que nunca faltava) onde aproveitávamos para conversar e contar nossas travessuras e mostrar nossos boletins escolares.

Comíamos arroz, feijão, legumes, verduras e carne. Sempre acompanhado de um bom suco de frutas ou até mesmo um refresco geladinho. Domingo então era uma verdadeira festa, reunindo assim toda a família numa casa só. Minha mãe chamava de Jantará, que se refere ao almoço junto com o jantar. As sobremesas eram feitas por nossas avós que consiste em algo deliciosamente doce e saboroso.

Nesse atual planeta vejo famílias desgarradas. Pais separados e muitos deles fazendo grande mal para seus próprios filhos, como assassinato, pedofilia e agressões. Vejo lares sem o alimento básico, chefes de família sem trabalho e crianças sem nenhum preparo intelectual, soltas na rua aprendendo a usar maldades contra seus próprios irmãos.

Não conhecíamos a maconha, a cocaína, a cachaça. Não falávamos em sexo e muito menos praticávamos com qualquer um que não fosse nossos maridos ou esposas. Nossos filhos nasciam saudáveis em hospitais com toda a segurança para que a criança viesse ao mundo perfeito e saudável. E Muitos desses hospitais não tinham a tecnologia que tem nesse Planeta. Parir em pia de hospitais e em portas de Postos de Saúde, nunca aconteceu por lá e jamais uma mãe abandonava seu filho em rodoviárias, rios, lixos ou matos.

As favelas que existem no meu planeta são habitadas por pessoas de poder aquisitivo muito baixo, pessoas, humildes que trabalhavam em nossas casas. Podia até haver quadrilheiros, mais não desciam ao asfalto para matar, roubar e torturar pessoas que não tem culpa de estar numa posição melhor. Não ofendiam trabalhadores, chefes de família e as mulheres são respeitados.

Lá, no meu planeta os rios e mares são sagrados, não poluímos. As matas não são destruídas para abrigar mansões de luxo e produzir matéria prima para grandes indústrias. Profissionais que servem para o bem da população são honrados, cumprem seus deveres com louvor, praticam suas funções com seriedade, tendo na mente o lema principal de salvar, curar, ensinar, proteger e cuidar. No final de sua carga horária de trabalho, o orgulho do dever cumprido com honras ao mérito!

Vejo que por aqui, que o povo gosta mesmo é de fofocas da vida dos artistas, obscenidades, beijarem na boca, sexo por sexo, novelas, músicas sem poesias e melodias, futebol, algazarra e muita cerveja.

Se não tem como voltar, vou torcer para que esse mundo seja bem melhor e que tenha muita paz!

Kika

About Kika

Meu nome já não importa, mais meu apelido é Kika. Sou carioca da gema, do signo de peixes. Já passei da idade dos sonhos. Por incrível que possa parecer, ainda não descobri a minha missão e no momento não estou fazendo questão. Amo a natureza e todos os seus habitantes. Gosto de ir ao cinema, ao teatro. Quase sempre escuto o bom Blues. Procuro sempre me manter ocupada, isso me faz esquecer os problemas e a solidão. Não gosto de situações aborrecidas e tediosas e muito menos ter que ser simpática quando não o quero ser e nunca me importo com o que falam de mim ou pensam ao meu respeito. Sou direta e nunca faço rodeios. Tenho vários defeitos e não faço questão de corrigi-los. Sou assim e pronto! Desejo que você goste da minha NAVE e qualquer contato é só deixar o seu recado que eu retorno. Muita paz a todos!

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