A vingança de Mrs. Smith (III)

– Sim senhora como queira. Policial Ralf, leve madame Mary até o quarto, para reconhecer o corpo.

Maria do Socorro não só reconheceu o corpo do querido marido como também se jogou em cima do cadáver, gritando, chorando, mostrado estar verdadeiramente abalada, numa cena típica de novela mexicana e muito bem ensaiada. Nem ela acreditara que seria tão boa atriz. Nesse momento os filhos também chegavam e igualmente a mãe, se jogaram em cima do pai que já estava endurecido. Todos faziam muitas perguntas deixando o investigador tonto.

Senhor Taylor, perguntou se o casaco de pele era de Maria do Socorro, o que ela confirmou prontamente e disse desconhecer aquele brinco. Aproveitou a deixa e informou esta faltando uma caixinha de jóias que relatou minuciosamente os detalhes das jóias e também da caixa, que pertence a Elizabeth. Negou que seu marido fizesse uso da pílula azul e não ter conhecimento que seu marido pudesse ter uma amante ou algo parecido. Para ela também era uma surpresa.

Apos tudo respondido e explicado, retiram e enviaram o corpo para exames no Legal Medical Institute. A casa foi lacrada para as devidas coletas de provas e amostras de DNA de toda a família incluindo os empregados.

Maria do Socorro, a irmã e os filhos e a empregada se hospedaram num hotel cinco estrelas.

– Acho que vou dar um tranqüilizante para a Maria do Socorro – falou Do Céu para os sobrinhos.

– Vocês deveriam ir descansar também, amanhã teremos um dia duro.

– Mãe… Quem vai cuidar das empresas… Quis saber Andrew

– Não sei ainda meu filho. Agora não é hora para isso.

– Vamos saber com o Dr.Ward. Temos que reunir os acionistas.

– Quem será que fez isso com o pai mãe? Perguntou Emy

– Não sei minha filha. A polícia é quem vai nos dizer.

– Madame Mary, o recepcionista do hotel ligou dizendo que o saguão esta cheio de repórteres e querem entrevistar a senhora. Informou Lucinalva.

– Ora, ora… Mais essa. Estou exausta.

Nesse momento chega Dr. Ward, trazendo os pêsames e noticias da investigação. Tranqüilizou Socorro informando que ele cuidaria de tudo e a acompanharia no dia seguinte a delegacia.

Maria do Socorro dormiu pesadamente o que foi acompanhada pelos filhos, ficando somente acordada Maria do Céu e Lucinalva que deu todo o serviço do acontecimento.

Na manhã seguinte Maria do Socorro acordou cedo, tomou banho se vestiu com esmero. Chamou Emy em particular, recomendando que ela não comentasse nada, a respeito de sua suspeita de um envolvimento de seu marido com Elizabeth. Emily Louise concordou silêncio, mais quis saber por que a mãe não contava logo.

– Ora minha filha! Você não vê que eles podem suspeitar de mim? Podem achar que eu matei meu marido por ciúmes. Longe de eu cometer tal ação. Você sabe o quanto eu amava seu pai.

– É mesmo Mamy, não havia pensando nisso! Pode deixar que não direi nada.

– thank you my princess

– A senhora acha que foi ela quem matou papai?

– Não sei minha filha. Os investigadores é que vão nos dizer

– O que a senhora acha?

Antes que Maria do Socorro desse seu parecer, Maria do Céu adentrou o quarto informando que o breck fast já estava servido. Apesar da fatalidade, todos estavam com muita fome e iniciaram o café da manha em silêncio que foi interrompido pela chegada do Dr. Ward.

– Good morning ladies!

– Good morning Dr. Ward – se é que podemos ter um bom dia.

– aceita tomar o café da manhã?

– Yes, thank you.

Dr. Ward pegou a xícara e iniciou seu relatório sobre os acontecimentos.

– Estou vindo da delegacia. O investigador suspeita que Mr Smith tenha sido assassinado por envenenamento. Temos que esperar pela autópsia para que os toxicologistas do Instituto dêem o parecer final. Tudo indica que Mr. Smith estivesse com outra pessoa na casa. Talvez uma mulher.

Maria do Céu olhou sorrateira para Maria Socorro que emendou.

– É de admirar que meu marido tenha tido um caso. Estou chocada e ultrajada com esse fato. Nunca percebi atitudes desse conceito no meu marido. Tínhamos um ótimo relacionamento.

– É mãe… Papai pulou a cerca e se fucked no arame farpado. Falou Andrew

– Que isso menino! Que falta de respeito é esse? Você respeite a todos nessa mesa, a mim e a memória de seu pai.

– Desculpas… Desculpas… É que me revolta saber que papai fez isso com você. Sempre tão dedicada a ele e a todos nós.

– Senhora Mary – Emendou o advogado, quebrando o mal estar do momento.

– A senhora terá que ir a delegacia para responder algumas perguntas. O delegado também quer ouvir as crianças e a empregada. Talvez também tome o seu depoimento senhora Maria do Céu.

– Nós iremos tão logo terminemos o café da manhã. O senhor nos acompanha Sr. Ward?

– Sim claro! Mais fique tranqüila, não tem pressa. Se a senhora quiser posso marcar para amanhã.

– Não! Que seja logo. O senhor já providenciou tudo para o velório e o enterro?

– Já agendei algumas coisas, porém, temos que esperar a liberação do corpo.

– E quando voltamos para nossa casa?

– Assim que a policia liberar a residência. Acho que somente quando periciarem tudo e tiverem concluído o caso. Isso pode demorar alguns dias.

– Entendi. E a empresa, o Sr avisou ao vice- presidente?

– Sim madame Mary… Já foi feito o comunicado aos acionistas e aos empregados. A senhora não precisa se preocupar com nada no momento. Eu estou cuidando de tudo.

– Very good!

– Sabe me dizer o que a imprensa esta noticiando?

– Eu trouxe os jornais. Se a senhora quiser ler. Também esta sendo noticiado em todos os canais da TV. Soube que a notícia já chegou no Brasil.

– Vixi! Tenho que ligar para o meu marido, dando notícias. Exclamou Maria do Céu se dirigindo ao telefone.

Elizabeth ficou branca ao ser informada que os investigadores estavam na empresa para ouvir o depoimento dela e de alguns funcionários. Por um momento pensou em fugir. Ligou para sua amiga Violet Marie que a aconselhou a contar toda a verdade. Quase sussurrando no telefone:

– Como Violet – vou dizer a verdade! Você não esta vendo o que os noticiários estão dizendo?

– Beth… Ouve-me criatura. Procura um advogado e conta tudo. Assim você se livra do que possa esta a te apontar. Fala com o Dr. Ward. Ele não sabia do seu envolvimento com Mr. Smith?

– Não sei. Acho que sabia. Mais ele não esta na empresa.

– Liga para o celular dele criatura.

– Não há tempo Beth – Os investigadores já estão aqui na empresa e estão chamando um por um.

– Então querida… Reza a Deus…

Enquanto isso, outra equipe policial se dirigiu para o apartamento de Elizabeth. Confiscaram como evidências o porta-retrato com a foto dos dois, a caixa de jóias, as roupas e objetos masculinos. Na residência de madame Socorro, levaram como evidência a garrafa de uísque envenenada,copos,o CD de clássico dos Cinemas – Casa Blanca., o pé de brinco, cabelos dos dois, e uma calcinha de Elizabeth que no desespero deixou para trás.

Elizabeth não teve outra saída a não ser contar que tinha um caso extraconjugal com o Sr. Smith e também o que aconteceu naquela noite. Mais as evidências culpavam Elizabeth. Ela Resolveu então pedir um advogado. E saiu da empresa algemada e acompanhada de dois policiais. Foi humilhante!

Ainda, por várias vezes, Maria do Socorro compareceu ao Departamento de Polícia de São Francisco ( San Francisco Police Department – (SFPD) , com seus filhos, sua irmã, sua empregada e o advogado da família Dr. Ward. Reconhecendo a caixa de jóias como sendo dela, e o casaco de pele. Fingindo surpresa ao saber que seu marido fazia uso da pílula azul e que tinha um caso com sua secretária. Não reconheceu o pé de brinco de Elizabeth.

Após o enterro, sem pompa de Mr. Smith, Maria do Socorro contratou o melhor advogado criminal. Iria colocar Elizabeth na cadeia, que no momento havia sido liberada por ser ré primária e ter residência fixa. O ódio que sentia pela traição de seu marido, ainda era pulsante em suas veias e a qualquer custo, Elizabeth pagaria também por essa traição. Seu marido estava morto e não sentia nenhuma culpa por isso e poria sim aquela sem vergonha na cadeia, afinal todos os indícios levavam para Elizabeth.

Após alguns meses, reuniu os acionistas da empresa e nomeou seu filho Andrew vice-presidente da empresa e o VICE a presidente, afinal ele era um ótimo profissional. Demitiu algumas funcionárias que pertenciam à panelinha de Elizabeth. Vendeu a mansão comprando outra menor e mais aconchegante se livrando das lembranças acontecidas.

Mac Taylor, o investigador, nesses meses, derramava gentilezas para Maria do Socorro que agradecia e correspondia com todo o seu charme baiano. Era notório o interesse de Mac Taylor para com Madame Smith.

Maria do Céu, a irmã, percebendo que ali teria cutia no mato, adiantou a Maria do Socorro:

– Irmã, esse investigador esta de trelê para você e vejo que você esta dando corda.

– E o que tem isso criatura? Respondeu Maria do Socorro.

– Estou viúva e não morta! Ele pode ser de grande ajuda nessa hora. Enquanto estiver rolando as investigações sobre o caso é de bom grado que ele se derreta por mim.

– Você sabe o que faz. Comentou entre os dentes Maria do Céu. Acho que não se faz mais necessária a minha estadia aqui. Preciso voltar para o Brasil, o que concordou Maria do Socorro.

A vida continuou normalmente para a Família Smith. Andrew na Presidência da Empresa, Ryan voltando para a Europa para terminar seu doutorado, Emyly Louise, morando definitivamente com os tios paternos e firmando seu noivado com breve casamento.

Maria do Socorro sentia-se livre, feliz e vingada. Estava aproveitando todas as coisas boas que o dinheiro de seu marido podia lhe proporcionar. Uma delas seria uma cirurgia plástica em breve, assim que Elizabeth fosse processada, incriminada e finalmente pressa. O que não tardou a acontecer.

Durante todo o processo a defesa não teve como se defender, diante de todas as provas que a policia tinha colhido na casa, contra Elizabeth.

Maria do Socorro enfrentava essa maratona com certo prazer. Adorava olhar fixamente para Elizabeth enquanto o júri a acusava. Fazia-se o tempo todo de vítima, se portando como a viúva traída. Era saborosa a vingança!

Elizabeth foi condenada a cumprir pena de 31 anos e seis meses, por homicídio doloso, qualificada por motivos torpe, agravada pelo modo insidioso de execução. Fora mandada imediatamente para o presídio feminino.

Maria do Socorro comemorou em grande estilo a prisão de Elizabeth, indo jantar em um luxuoso restaurante com o investigador Mac Taylor, coberta pelas jóias que o Sr. Smith presenteara a Elizabeth, engrenando um romance porreta.

Após alguns meses, Elizabeth no banho de sol recebeu um bilhete por outra detenta com os seguintes dizeres:

– Pau que bate em Chico, também bate em Francisco!

FIM

Kika

About Kika

Meu nome já não importa, mais meu apelido é Kika. Sou carioca da gema, do signo de peixes. Já passei da idade dos sonhos. Por incrível que possa parecer, ainda não descobri a minha missão e no momento não estou fazendo questão. Amo a natureza e todos os seus habitantes. Gosto de ir ao cinema, ao teatro. Quase sempre escuto o bom Blues. Procuro sempre me manter ocupada, isso me faz esquecer os problemas e a solidão. Não gosto de situações aborrecidas e tediosas e muito menos ter que ser simpática quando não o quero ser e nunca me importo com o que falam de mim ou pensam ao meu respeito. Sou direta e nunca faço rodeios. Tenho vários defeitos e não faço questão de corrigi-los. Sou assim e pronto! Desejo que você goste da minha NAVE e qualquer contato é só deixar o seu recado que eu retorno. Muita paz a todos!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

You may use these HTML tags and attributes:

<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>