A vingança de Mrs. Smith (II)

… Já acomodada na primeira classe, Maria do Socorro começou a chorar. Um misto de arrependimento e ódio invadia seu coração. Pensou em como o marido ficara feliz com a partida dela sem ao menos se comover com a suposta desgraça da irmã

Como ele se levantou feliz e a frieza de seu beijo. Lembrou-se também de como ele fez questão que ela demorasse no Brasil.

Ao pisar no solo brasileiro e literalmente baiano, sentiu o calor sufocar e sorriu ao ver o céu tão azul e o sol brilhando. Seu vôo havia demorado dez horas e meia, vôo non-stop. Sua irmã Maria do Céu já a esperava no aeroporto. Ali mesmo, no café do aeroporto Maria do Socorro contou toda historia e também falou do arsênico e das jóias. Maria do Céu ficou horrorizada, mais agora era tarde para qualquer atitude contraria e ajudaria sua irmã no que fosse necessário. Era muito grata a sua irmã por todo o conforto que Socorro á proporcionava esses anos todos e ensino superior aos seus filhos.

Do Céu achou que deveriam inventar uma desculpa para seu marido Juarez e toda a família, caso acontecesse o pior não sobraria culpa para Maria do Socorro que teria um forte álibi.

Ao chegarem à casa de sua irmã, fora recebida com muitas alegrias por todos os parentes. Sobrinhos, cunhados e agregados. Contaram uma história, que Maria do Socorro recebera um telefonema avisando da desgraça que sua irmã, Maria do Céu, e família fora acometida. Por isso a chegada dela ao Brasil. Descobriram então, que Maria Do Socorro havia sido vítima de um trote. Todos estavam bem e a bela casa estava segura, pois moravam num bairro nobre da Bahia. O marido de Maria do Céu, Sr Juarez achou que poderia ter sido um vizinho invejoso que passou o tal trote, restava saber como ele descobriu o telefone de Socorro lá nos EUA.

Do Céu com receio de alguma atitude fora de contexto do marido, pediu encarecidamente que deixassem passar tal fato, para não se criar mais problemas e assim poderia matar as saudades da irmã. Maria do Socorro ligou para o marido conforme combinado e contou que tudo não passou de um trote de algum engraçadinho que não tinha o quefazer, porém, ficaria ainda alguns dias para poder curtir a irmã o cunhado e os sobrinhos. Também estaria pensando em mais tarde ir para o Rio de Janeiro visitar a madrinha, já que ela estava em solo brasileiro ia aproveitar. Mr. Smith, o maridão, concordou com Maria do Socorro e aproveitou para dizer que folgava em saber que tudo estava bem com a família brasileira e que ela não se preocupasse que tudo estava sobre controle.

Mr. Smith certificando-se que Mary estava em solo bem brasileiro, tratou de ligar para Elizabeth e dizer que ele era todinho dela e que a esposa já estava no Brasil.

– Brazil’s wonderful! Exclamou Elizabeth.

Marcaram para aquela noite a realização do seu desejo de terem uma noite de amor no lar da família Smith. Elizabeth em fim iria conhecer a mansão de madame Mary. Tinha em mente plantar alguma coisa na casa. Assim, Madame Mary descobrindo a traição do marido, pediria o divórcio, ficando o caminho livre para ela casar-se com Smith tornando-se assim madame Elizabeth Smith.

Chegou eufórica a mansão. Exatamente como Maria do Socorro fez em seu apartamento, Elizabeth olhou tudo minuciosamente e sorria como uma louca. Ao adentrar o closet de Mrs. Mary, debochou ironicamente dos modelitos de Maria do Socorro, mas ao avistar um casaco de visom legítimo, comentou:

– Ah! Que peça maravilhosa, que casaco lindo! É verdadeiro?

– Sim, confirmou. Dei de presente de aniversário para Mary.

– Posso vestir para ver como fica?

Diante da afirmação, Elizabeth tirou toda a roupa, vestido o casaco sobre o corpo nu.

Mr. Smith sorria, cheio de tensão. Achou que Elizabeth estava parecendo uma criança que ganhou um doce.

– Eu também quero um desses. Disse Elizabeth para o Sr. Smith.

– Eu te darei minha flor. Um ainda mais bonito que esses.

Elizabeth extasiada, pois a dançar pela casa com o tal casaco abrindo e fechando feito um filme.

– Dança para mim Elizabeth? Pediu Mr. Smith. Colocando um Cd de clássico dos Cinemas – Casa Blanca.

Elizabeth deslizava majestosamente pela sala. Mr. Smith já pensando em toda a sacanagem que iriam fazer, tratou de tomar a pílula azul. Colocou uma dose de uísque, acendeu seu charuto fedorento, acomodou-se no sofá e ficou ali olhando o desempenho de sua Elizabeth.

Elizabeth escorregava o vison pelos seus ombros, abria as pernas como num passo de balé clássico, corria e beijava seu amado calorosamente. Estavam no céu.

Logo a pílula azul começou a fazer efeito. Mr Smith tomou o último gole do seu uísque, tomou o cuidado de apagar o charuto no cinzeiro e agarrou Elizabeth no colo, quase não aquentado com o peso da moça, levou-a para o quarto do casal, abriu o casaco e caiu literalmente de boca em tudo aquilo que era só seu.

Elizabeth tirou um brinco da orelha e jogou de forma que caísse embaixo da cama. Naturalmente Mrs Mary o encontraria.

No ato do rala e rola, Mr Smith começou a passar mal. Começou a sufocar, ficou vermelho depois amarelo, gesticulava com a mão. Elizabeth ficou assustada sem saber o que seu amante tinha. Pensou que ele estivesse brincando, pregando uma peça nela.

– Para mon amour – (gastando o seu francês)

Mr. Smith começou a vomitar e foi ficando roxo e sem forças. Levava as mãos na garganta e os olhos arregalados. Balbuciou para Elizabeth.

– Porque você fez isso? Eu te amo!

Mr. Smith caiu duro para trás. Elizabeth logo entendeu que Mr. Smith estava morto. Sacudiu o corpo já sem vida, sem resultado.

– My god !!!!! He died!

Elizabeth se desesperou, ficou rodando tonta pelo meio do quarto sem saber o que fazer.

– Vão pensar que fui eu quem matou! Deus do céu o que vou fazer.

Vestiu-se apressadamente, pegou sua bolsa e saiu apressadamente dali como um relâmpago.

No dia seguinte a empregada ilegal passou na mansão para pegar algumas peças de roupas, já que ela estaria de férias e ia precisar de suas roupas boas roupas para passear. Deixou a amiga no portão da mansão entrou pela cancela onde o segurança estava de plantão.

– Não gostou das férias calango?

O segurança se referia assim a Lucinalva por ela também ser do nordeste.

Calango é a sua vó! Eu vim pegar umas peças de roupas. Tudo bem por aqui?

– Até agora tudo calmo. Ontem o patrão chegou cedo, se recolheu e até agora não saiu.

– Como não saiu? Ele não foi trabalhar?

– Só se foi a pé. Ele não me pediu para tirar o carro e ta tudo muito silêncio.

Calango, digo,Lucinalva, estranhou o fato do patrão ainda permanecer na casa até àquelas horas. Ele saia sempre cedo para o trabalho. Entrou pela cozinha devagar, reparando tudo, passou pela sala e viu o copo de uísque e o charuto sobre a mesinha de centro, a camisa de seu patrão no chão e o aparelho de cd ligado. Pensou maldosamente que seu patrão estaria com uma mulher no quarto do casal. Andou devagarzinho nas pontas dos pés, sem fazer barulho e espiou através do quarto. Avistou o casaco da senhora no chão, sapatos de seu patrão jogados. Adentrou mais um pouco e percebeu Sr. Smith roxo sobre a cama do casal com os olhos arregalados. Havia uma pequena desordem pelo quarto.

– Vixi do céu!!!! O que aconteceu aqui?

Caminhou ainda devagar até a cama e descobriu que seu patrão estava morto.

– Jesus de Nazaré!!!! O homem tá morto ô xente!!!

Lucinalva saiu correndo chamando o segurança que constatou também que o patrão estava morto.

Os dois ficaram ali desnorteados até que o segurança chamou a polícia local. Em alguns momentos a casa estava toda cercada por carro de policia, corpo de bombeiros e a TV local.

Os dois deram os seus depoimentos explicando que a patroa havia ido para o Brasil. O segurança disse à hora em que Mr. Smith chegara e como sempre chegara sozinho e que ninguém esteve ali naquela noite. A perícia estava no local e o Xerife tratou logo de ligar para Mrs Smith.

Socorro e do Céu haviam passado aquela noite em claro. Não conseguiam dormir. Conversaram a noite toda. Quando o dia amanheceu foram para a cozinha para preparar o café da manhã. Pensaram… Se ele esteve com ela essa noite, há essa hora ele já deve estar morto.

– Cruz em credo! Exclamou do Céu.

– E se ele estivesse sozinho na casa e tomara o uísque? Havia morrido por nada!

– Vira essa boca pra lá. Você deveria pegar um vôo ainda hoje e desfazer isso tudo que você fez antes que seja tarde. Talvez ele deixe para se encontrar com ela em outro lugar ou no final de semana. Ligue para sua empregada e de ordens a ela para jogar o uísque na pia. Alega que como você esta fora Smith vai beber todas.

Nesse momento o celular de Mrs Smith tocou. As duas levaram um susto de sobressalto. Demoraram um pouco para atender.

– Atende logo criatura.

Maria do socorro trêmula atendeu o celular.

– Helô

– Sra. Smith?

– Sim.

– aqui é Mac Taylor investigador da policia de Los Angeles.

– Sim… O que aconteceu?

– Gostaria de pedir que a senhora viesse imediatamente para  Los Angeles, pois seu marido foi encontrado morto na cama do quarto do casal. Tudo indica que foi assassinato. A CSI já esta investigando para colher impressões e qualquer outro fator que possa ajudar a policia a descobrir o que se passou aqui.

Socorro ficou branca igual cera e quase caiu dura no chão. A mão começou a tremer e a voz falhar.

– Co… Como…???? Quem esta falando?

– Sra. Smith… Aqui é o Investigador da polícia de Los Angeles. Sua empregada encontrou seu marido, Sr. Smith morto no quarto do casal. Há suspeita de assassinato. Precisamos que a senhora retorne logo aos EUA para podermos iniciar as investigações.

– Como isso foi acontecer? Ao embarcar para o Brasil meu marido estava vivinho da silva.

– Pois é senhora… Mais agora ele esta mortinho da silva. Precisamos da senhora urgentemente aqui, para termos detalhamento se foi roubada alguma coisa. Temos uma forte suspeita que seu marido tenha sido envenenado.

– My God!!!!!

– Socorro vôo imediatamente para o Los Angeles levando sua irmã Maria do Céu junto para consolá-la durante a viagem.

Elizabeth apavorada, sem saber o que fazer foi para casa de sua amiga que a aconselhou a ir trabalhar normalmente como se nada tivesse acontecido. Afinal, ninguém sabia do envolvimento dos dois e ela havia entrado na mansão abaixada no banco de trás para que o segurança não pudesse vê-la, evitando assim que alguém ficasse sabendo.

Ao desembarcarem em Los Angeles, Socorro pediu a irmã para ligar para a empresa Smith para saber se Elizabeth estava no trabalho. Ao obter a confirmação, abriu a caixa de jóias, tirou o par de alianças, guardando-as numa bolsinha pequena no fundo de sua bolsa. Vestiu o disfarce e tocou para o apartamento de Elizabeth, colocando a caixa de jóias no mesmo lugar que encontrara. Maria do Céu dava total cobertura para a irmã apesar de estar apavorada. Tudo estava saindo perfeitamente bem como Socorro havia planejado.

Por dentro Maria do Socorro estava se sentindo muito bem vingada. Havia lavado sua honra! Teria que ser inteligente e esperta o bastante para continuar com a farsa sem que os investigadores desconfiassem dela. Mais… Ainda era muito cedo para cantar vitórias! Teria que saber direitinho o que se estava passando e o que os investigadores haviam descoberto.

Ao chegarem a casa depararam com os arredores cheios de viaturas policiais, câmeras de TV e um aglomerado de gente por todo o quarteirão de sua residência. Pediu ao taxi para entrar na mansão, após se identificar para os policiais no portão.

Maria do Céu estava muito nervosa, tremia dos pés a cabeça.

– Se acalme criatura! Pediu Socorro a irmã

– Assim você vai levantar suspeita sobre nós.

– Nós?

– Sim…. Nós… Você esta me dando cobertura esse tempo todo ô xente.Então você é cúmplice. Acho bom você se acalmar, ficar esperta e deixar para ficar nervosa depois que você ver o falecido estatelado na cama. Por acaso você esta querendo colocar tudo a perder?

– Não! Claro que não, minha irmã. Estou junto contigo para o que der e vier. Já falei que você pode confiar em mim bichinha.

– Very goood! Então se prepare para chorar, gritar e se necessário fôr esperniar.

– Madame Mary… Sou Mac Taylor investigador da CSI Crime Scene Investigation e esse é o Dr. Antoine Yves do Departamento de Polícia de São Francisco ( San Francisco Police Department – (SFPD)

– Yes sir.

Ao cumprimentar Maria do Socorro, Mac Taylor ficou encantado com aquela bela baiana, que falava inglês com sotaque típico e encantador. Os belos olhos negros de Socorro penetraram profundamente os olhos azuis do investigador causando uma sensação agradável no Sr.Taylor.

– Please forgive me lady, the more the news is not pleasant.

(Queira me perdoar senhora, mais as notícias não são agradáveis).

– Oh! Meu Deus! O que esta acontecendo? Maria do Socorro exclamou ensaiando um desmaio e sendo aparada pelo Sr. Taylor e sua irmã.

– Sente-se senhora. Infelizmente vou ter que explicar tudo para a senhora que devera identificar o corpo.

Lucinalva correu para abraçar a patroa na menção de confortá-la por tamanha perda.

– Senhora… Uma desgraça… Fui eu quem encontrou o corpo. Os polícias estão dizendo que o patrão foi assassinado. Tomei a liberdade de ligar para o Dr. Ward.

– Onde esta o Dr. Ward? Perguntou Socorro.

– Foi resolver problemas com as papeladas e passar na empresa para avisar aos acionistas. Respondeu Sr Taylor – Houve com certeza uma festinha particular aqui, senhora Mary. Encontramos algumas impressões digitais, líquido espermático, roupas espalhadas pelo chão, um casaco de vison no chão e um pé de brinco que foi encontrado em baixo da cama e precisamos saber se são da senhora. Também precisamos saber se esta faltando alguma coisa, algum pertence e preciso fazer algumas perguntas pra senhora, já que sua empregada Lucinalva afirmou que todos estavam viajando.

– Sim senhor Taylor. Responderei todas as perguntas que o senhor desejar, mas agora desejo ver meu marido.

(cont.)

Kika

About Kika

Meu nome já não importa, mais meu apelido é Kika. Sou carioca da gema, do signo de peixes. Já passei da idade dos sonhos. Por incrível que possa parecer, ainda não descobri a minha missão e no momento não estou fazendo questão. Amo a natureza e todos os seus habitantes. Gosto de ir ao cinema, ao teatro. Quase sempre escuto o bom Blues. Procuro sempre me manter ocupada, isso me faz esquecer os problemas e a solidão. Não gosto de situações aborrecidas e tediosas e muito menos ter que ser simpática quando não o quero ser e nunca me importo com o que falam de mim ou pensam ao meu respeito. Sou direta e nunca faço rodeios. Tenho vários defeitos e não faço questão de corrigi-los. Sou assim e pronto! Desejo que você goste da minha NAVE e qualquer contato é só deixar o seu recado que eu retorno. Muita paz a todos!

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