O mesário e a urna

Costumo sair para votar sempre no finalzinho da tarde, quase encerrando a votação. Assim evito ser convidada para integrar a mesa ou esperar que eventuais problemas sejam resolvidos e até mesmo não pegar fila.

Nessas eleições foi diferente. Resolvi sair pela manhã para votar, porque teria um compromisso à tarde. Apesar de votar bem pertinho de minha casa, uma quadra mais ou menos, estava bastante desanimada por saber que os meus candidatos não teriam votos suficientes para se eleger e muito me preocupa o destino do meu Brasil brasileiro. Chovia muito no Rio de Janeiro e ao abrir o guarda-chuva, uma rajada de vento quebrou três varetas do dito cujo, me obrigando a seguir o caminho mesmo assim para cumprir a cidadania obrigatória.

Ao chegar ao colégio eleitoral, percebi um tumulto na porta de pessoas se abrigando da chuva. Com um pouco de paciência encontrei a zona eleitoral em que voto e fui a quinta pessoa da fila.  Ao chegar a minha vez e entregar o título com a identidade, me posicionei a espera da assinatura do livro para cumprir a missão eleitoral. Nesse momento dois mesários tentavam acionar a urna eletrônica. Um dizia para o outro:

– Coloca um zero no final

– Já coloquei.

– Então coloca dois zeros no começo

– Já coloquei…

Era tanto zero pra esquerda e zero para a direita, até que eles acertaram com a urna eletrônica.

– A senhora pode votar naquela cabine.

– Desculpe-me senhor, mais foi tantos zeros que eu gostaria de conferir a urna para saber se de fato o número do meu título de eleitor esta correto.

Pedido feito, pedido negado. Ai começou a zona de fato entre o mesário e euzinha.  Solicitei então a presença do presidente da mesa que era uma mulher gorda cheia de colares dourados no pescoço. Pegou no meu braço e me chamou de fofa.

– NÃO me toque senhora… Larga o meu braço…  E eu não sou fofa, sou uma cidadã brasileira, uma senhora assim como à senhora, cumprindo o meu direito.

Solicitei alguém do TRE. Logo apareceu um senhor que ao saber do ocorrido e sucedido meu deu razão e foi solicitada a troca da urna.

Ao terminar de votar e sair da cabine, fui aplaudida por todos que estavam na fila, esperando também a vez de votar.

Comigo não meu irmão!

Posso ser uma ignorante, mais idiota eu não sou e sei os meus direitos.

Inté daqui a quatro anos.


Kika

About Kika

Meu nome já não importa, mais meu apelido é Kika. Sou carioca da gema, do signo de peixes. Já passei da idade dos sonhos. Por incrível que possa parecer, ainda não descobri a minha missão e no momento não estou fazendo questão. Amo a natureza e todos os seus habitantes. Gosto de ir ao cinema, ao teatro. Quase sempre escuto o bom Blues. Procuro sempre me manter ocupada, isso me faz esquecer os problemas e a solidão. Não gosto de situações aborrecidas e tediosas e muito menos ter que ser simpática quando não o quero ser e nunca me importo com o que falam de mim ou pensam ao meu respeito. Sou direta e nunca faço rodeios. Tenho vários defeitos e não faço questão de corrigi-los. Sou assim e pronto! Desejo que você goste da minha NAVE e qualquer contato é só deixar o seu recado que eu retorno. Muita paz a todos!

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