Nosso Lar

Nosso LarNesse fim de semana fui ao cinema assistir o filme “Nosso lar”. O roteiro é baseado no Livro de mesmo título, ditado para Chico Xavier pelo espírito de André Luiz. Eu já havia lido esse livro há muitos anos atrás e quase não me lembrava mais da historia que narra à trajetória depois da morte de André Luiz. Ao assistir ao filme veio a minha memória toda a história.

Não sei explicar ao leitor, mais em um determinado momento tive vontade de sair do cinema no meio da fita. Fui tomada de um sentimento que não sei ao certo, uma tristeza interior e certa apreensão.  Evidentemente que o livro é mais rico em detalhes e deixa a nossa imaginação fluir, dando forma ao nosso critério de seus personagens e lugares físicos. Achei que o filme deixou a desejar sobre a grandeza da obra e a narrativa de André Luiz.

Os sentimentos contrários deveram-se pela incredibilidade constante em meu ser. Não que eu seja totalmente incrédula nos fatores espirituais, mais sim por não conceber certas regras existentes no plano espiritual, segundo André Luiz. Deixo claro que Chico Xavier foi e será o único espiritualista que realmente me passa confiança e André Luiz, um espírito iluminado e a sua significante narrativa detalhada de uma vida após a vida terrena o que docilmente chamo de Nova Pátria.

Entendo que André Luiz deixa clara a importância da essência do Amor. Amor incondicional em todos os aspectos, com a narrativa de sua trajetória depois do desencarne, passando pelo purgatório/umbral até chegar à cidade espiritual do mesmo nome do livro.

Entendo que o intuito de André Luiz é nos preparar, ainda nesse plano físico, sobre o amor em plenitude e erros que cometemos, segundo as leis espirituais, para alcançarmos o desencarne mais tranqüilo e longe da revolta e apegos materiais, nos proporcionando uma Nova Pátria tranqüila e compreendida. Esse amor também é extensivo a nós mesmos, acalentando e enobrecendo nossos espíritos de amor e cuidados.

É ai que a coisa pega pro meu lado.

Na terra, fisicamente, cometemos atos corriqueiros que nem nos damos contas de que seja uma aberração para o nosso ser em espíritos e muito menos que iremos responder sobre atos na Nova Pátria. Sempre ouvi dizer que: – “Aqui fazemos e aqui pagamos” e desde criança em velórios dos familiares as pessoas dizendo: – “Descansou! Vai em paz.”

Segundo relato de André Luiz o desencarne não é bem um descanso eterno. Na Bíblia que sempre utilizo em minhas orações e menções, no salmo 23 – salmo de Davi – ele assegura:

– 1 – O Senhor é meu pastor e nada me faltará.

– 2 – ELE me faz repousar em pastos verdejantes, Leva-me para junto das águas de descanso;

– 3- Refrigera-me a alma, guia-me pelas veredas da justiça por amor ao seu nome

– 4 – Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum…

Segundo o relato rico em detalhes de André Luiz, não é bem assim que se da ao desencarne.  Há muitas veredas a seguir, os pastos verdejantes estão aquém de merecedores ou não na Nova Pátria. Pátria essa que também como na terra é por pouco tempo, pois quando estamos tranqüilos, espiritualizados na concepção da palavra, voltamos a terra encarnados em uma nova missão, como uma peça de teatro cujo ator/atriz encarna novos e desafiantes personagens.

Conheci muitas religiões institucionalizadas, estudei algumas delas e por contradições e processos em desacordo com Deus, acabava numa frenética procura por respostas que fossem palpáveis. Queria crer em dirigentes que fossem exemplo do que pregava e isso nunca aconteceu em minha procura. Entendi que Deus é o dirigente perfeito é o navegador dos setes mares. Que a fé, a união, o bem, o amor e a honestidade são hipoteticamente a igreja dos bons.

Mais Chico Xavier já nasceu em santidade. Não que o considero santo, porque o único homem santo foi Jesus e assim mesmo teve momentos de conflitos. Chico foi o escolhido na terra. Cresceu sofrendo, foi resignado, desacreditado e de uma humildade surreal. Era puro amor. Então a credibilidade em seus amigos espirituais que insistem em orientar os encarnados na terra para uma perfeita união espiritual é também de confiabilidade.

O que me deixa amotinada é saber que passamos nossas vidas, vividas com intensidade de todas as coisas. Amamos muito e em formas diferentes. Trabalhamos bastante, estudamos,somos por muitas vezes humilhados, passamos dificuldades, sofremos pela ausência para a morte de nossos entes queridos. Temos milhões de defeitos e igualmente em qualidades. Odiamos por certos momentos e procuramos incansavelmente a felicidade na sua forma plena. Estamos sempre em busca de muitas variantes, Queremos sempre o melhor, queremos nossos familiares bem, queremos o conforto, a paz a união e isso para mim é sempre o amor.

Mas… Nosso Lar nos da à certeza que tudo na vida é passageira e isso é conhecido por todos. André Luiz também faz acreditar que após a vida, na Nova Pátria, tudo começa de novo.

A busca pela espiritualização, pela crença, pelo amor, pelo trabalho, (que os espíritos chamam de bônus), que igualmente na terra obtemos ganhos. Estudam para melhor entender, e querendo ou não, passam em Nosso lar, pelo sofrimento mais aflorado, pois há um reconhecimento claro e objetivo dessa dor.

Demoramos muito a compreender que, não possuímos mais nada, do que a vida toda foi ensinada pelo mundo. – A obter, a escolher e a dedicarmos. Ensina-nos o famoso e conhecido livre arbítrio, porém, não é bem livre esse arbítrio, pois por qualquer centelha deflagrada em nosso ser de peso maior ou menor, respondemos dolorosamente por isso.

O mal estar que senti, o sentimento de tristeza na alma e o aperto no peito, quando naquele cinema, foi ser informada que meus queridos que agora habita a Nova Pátria, alguns tragicamente enviados para lá, ainda sofreram muito até obterem a compreensão de tudo, sem carregarem resquício de toda uma vida terrena imposta pela vida, combinada numa nova encarnação.

A afirmativa – “Descansou” – “Ficou livre” – “partiu em paz” – não é necessariamente uma certeza na hora da morte.  André Luiz continuou a sofrer por algum tempo de sua doença. E nota-se seguramente que todos chegam com um tipo de doença do corpo físico ou espiritual e uma dor muito mais intensa do que a nossa, quando da separação de seus entes queridos que deixaram na terra.

Sinceramente, amado leitor, não me senti bem fisicamente e espiritualmente, diante de tais possibilidades. Posso afirmar que sou uma pessoa espiritualizada. Não na essência do espírito propriamente dito, mais na espiritualidade de Deus, no caminho do amor, da humanidade do bem, da mãe que sou e do amor que tenho pelos meus familiares. Sofro intensamente com as perdas, com a falta da família reunida na mesa do jantar, da casa cheia, do marido que partiu, largando sua aliança em minhas mãos e dizendo ao nosso filho que ele o amava muito.

Não consigo conceber que após a morte ainda sofreremos muito e que a dor, a saudade ainda vai plainar por muito tempo sobre cada coração espiritual.  Foi duro ser informada que os pastos verdejantes e as águas de descanso não seria a gratificação dos bons. Fico até imaginando o que será dos espíritos errantes, assassinos, egoístas e ateus.

Quem me conhece sabe que tenho o habito de contradizer aquilo que não tenho total certeza da sua existência ou que não encontro explicações mais consistente ao meu modo de ver. Sou uma criatura errante, cheias de imperfeições, intolerante, teimosa e excessivamente emotiva. Já conheci muitos sentimentos insatisfatórios em meu peito, amei demasiadamente, briguei, odiei, maltratei e fui muitas vezes egoísta e excêntrica. Mais nunca fui insana e sempre tive a humildade de pedir perdão. Continuo humilde perante o Deus, sobre todos os entraves da minha vida. Levo a existência com seriedade, respeitando todo o universo e o que nele habita e acredito sinceramente que o amor, a bondade, a união e a humanidade, levam o benefício espiritual. Com a idade estou buscando ser uma pessoa melhor. A missão é difícil porque meu semelhante também não é uma pessoa melhor em todo o seu contesto. Mais vou tentando e orando a Deus por mim e por um mundo terrestre melhor e mais harmônico.

Vou pedir a Deus e espero ser atendida, para quando chegar o processo final da minha existência terrena que eu não passe pelo vale da morte, que eu repouse em pastos verdejantes, junto às águas de descanso. E o Nosso Lar seja apenas uma parada para uma nova conexão espiritual.

Nosso Lar - Filme

Kika

About Kika

Meu nome já não importa, mais meu apelido é Kika. Sou carioca da gema, do signo de peixes. Já passei da idade dos sonhos. Por incrível que possa parecer, ainda não descobri a minha missão e no momento não estou fazendo questão. Amo a natureza e todos os seus habitantes. Gosto de ir ao cinema, ao teatro. Quase sempre escuto o bom Blues. Procuro sempre me manter ocupada, isso me faz esquecer os problemas e a solidão. Não gosto de situações aborrecidas e tediosas e muito menos ter que ser simpática quando não o quero ser e nunca me importo com o que falam de mim ou pensam ao meu respeito. Sou direta e nunca faço rodeios. Tenho vários defeitos e não faço questão de corrigi-los. Sou assim e pronto! Desejo que você goste da minha NAVE e qualquer contato é só deixar o seu recado que eu retorno. Muita paz a todos!

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