Malandro Mané (III)

BetaBerta parou de rosnar diante da tal atitude do marido, pegou a bolsa com um sorriso meio desconfiado, enquanto Eduardo, achando que estava tudo bem, foi tomar um banho.

Ao entrar no chuveiro, levou uma vassourada pelo meio dos cornos, proferido por Berta que furiosa cuspia enquanto chamava o marido de safado, vagabundo e corno.

Eduardo sem entender nada, se protegia com os braços até que Berta conseguiu lhe desfilar um golpe com a vassoura, no meio do quengo. Acertando de jeito a sua cabeça, pensadora de malandragem. Vestiu apressadamente a cueca, enquanto Berta jogava suas roupas e tudo o que tinha no meio da rua. Berta, nos seus 90 quilos, agarrou o marido de cuecas mesmo e varou com ele pela porta afora, caindo de bunda no meio fio.

Diante do tamanho escândalo, a vizinhança foi se juntado aos poucos e a fofocada aumentando.

Eduardo ainda sem entender nada, levantou-se e caminhou até a varanda, implorando a mulher por resposta. O que ele havia feito para ela? Estava trabalhando duro até àquela hora e ainda lembrara-se de lhe trazer um presente.

– Presente? Seu cafajeste debochado. Toma o seu presente e enfia no Kú. Nunca mais apareça aqui na minha casa e se aparecer eu te mato maldito. Chega de te dar boa vida, vai cantar em outra freguesia condenado.Perfume

Eduardo, sangrando por todos os poros da cabeça raspada, abriu a tal bolsinha para conferir o presente que ele havia comprado para Berta. Pois sabia que iria chegar tarde e teria que fazer uma média com a patroa. Só não contava com a esperteza de Mariana. Ao abrir a caixa do perfume estava lá o saleiro do restaurante que estivera com Mariana.

– Filha de uma puta… safada… Mais eu pego essa vagabunda. Ela que me aguarde.

Eduardo estava furioso por ter sido enganado por uma mulher. Logo ele, que chegava às mulheres feias e sensíveis para se dar bem. Pensou que com Mariana, uma dama na concepção da palavra, iria ter uma vida daquelas. Ganhar presentes, jantar fora e quem sabe rolar um moltelzinho de responsa.

Ajudado por um vizinho, não teve outra saída a não ser ir para a casa da irmã, que foi logo avisando que seria por pouco tempo. O cunhado e a irmã sabiam que Eduardo era um típico vagabundo que gostava de se encostar.

Mariana não comentou com ninguém a sua derrota amorosa e levou a sua vidinha de sempre naturalmente e perfumada, até que…

Conheceu o seu príncipe! Um negão pra ninguém botar defeitos.

Muito forte, de 1.90m de altura, bem vestido, dono de um sorriso branco e encantador. Mariana estava nas nuvens. Afinal um homem pra chamar de seu.

Foi nessa felicidade toda que Eduardo encontrou Mariana. Sentada na mesma mesa que há seis meses ele havia sido enganado por ela. Tava ali sozinha e seria a sua hora de tirar as forras.

Numa fúria incontrolável, agarrou Mariana pelo pescoço, sem dar chance de defesa a pobre moça. Gritando que ela era uma vagabunda e vadia e que ele iria bater tanto nela que ela ia perder o rumo de casa. Mariana já quase sufocada pelas mãos de Eduardo apertando sua garganta foi salva pelo seu príncipe que havia ido ao banheiro.

Betão (aumentativo de Roberto) agarrou Eduardo pelos ombros e lhe deu um soco bem no meio do olho direito. Levantou o dito cujo do chão, arrastando-o para a rua lhe dando uma surra,mais que merecida, obrigando  Eduardo, a ancorar no estaleiro público, gastando gazes e mercúrio cromo do dinheiro do contribuinte. O saldo foi uma perna e um braço quebrados, a cabeça rachada, e a cara roxa de tanto soco.

Cont. (posts VI)

Kika

About Kika

Meu nome já não importa, mais meu apelido é Kika. Sou carioca da gema, do signo de peixes. Já passei da idade dos sonhos. Por incrível que possa parecer, ainda não descobri a minha missão e no momento não estou fazendo questão. Amo a natureza e todos os seus habitantes. Gosto de ir ao cinema, ao teatro. Quase sempre escuto o bom Blues. Procuro sempre me manter ocupada, isso me faz esquecer os problemas e a solidão. Não gosto de situações aborrecidas e tediosas e muito menos ter que ser simpática quando não o quero ser e nunca me importo com o que falam de mim ou pensam ao meu respeito. Sou direta e nunca faço rodeios. Tenho vários defeitos e não faço questão de corrigi-los. Sou assim e pronto! Desejo que você goste da minha NAVE e qualquer contato é só deixar o seu recado que eu retorno. Muita paz a todos!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

You may use these HTML tags and attributes:

<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>