Malandro Mané II

Eduardo estava com tanta fome que nem percebeu que Mariana não havia se servido, também não conversava, pois estava sempre de boca cheia, enfiava um naco de pizza na boca atrás do outro.

Mariana ficou ali, olhando para aquele homem, reparando em suas atitudes e a curiosidade na bolsinha de presente. Iria perguntar pra quem era o tal presente, quando o celular de Eduardo tocou. Eduardo olhou o visor do celular e imediatamente olhou para Mariana, se afastando da mesa para atender ao celular. Mariana aproveitando a ausência olhou dentro da bolsinha e notou que era um lançamento de perfume da moda. Porque será que Eduardo não havia dado para ela o tal presente. De certo não seria para ela. Teria outra mulher na jogada e seria a tal que estava no celular com ele. Mariana já havia perdido as esperanças e resolveu desistir dele. Ela precisava sim, de um homem pra chamar de seu, mais aquele ali definitivamente não seria o que ela tanto esperava.

Eduardo voltou à mesa com uma desculpa que teria que ir embora, pois havia acontecido um imprevisto. Disse que ligaria para ela, marcando um novo encontro. Mariana nada falou, apenas sorriu. Eduardo chamou o garçom com um assovio e disse ao garçom:

– “Meu Chefe” trás a dolorosa.

Mariana ficou estarrecida com essa atitude e ficou imaginando o que pensaria seus colegas de trabalho com essa pérola em forma de homem. Ficou decepcionada e arrasada, ficaria sozinha mesmo, a ter um homem daquele porte ao seu lado.

O garçom voltou com a conta e ficou em pé, junto à mesa esperando que Eduardo pagasse a conta. Eduardo disfarçava e o garçom resolveu se afastar. Mariana percebeu a demora no pagamento da conta.garcom

– Algum problema Eduardo?

Com a maior cara de pau, Eduardo pediu a Mariana que pagasse a conta, deu uma esfarrapada desculpa, dizendo que estava desprevenido.

Como um homem viria desprevenido para um encontro?

Mariana pegou a conta e viu a quantia de cinqüenta e cinco reais. Seria uma pizza grande, que ele comeu sozinho, e cinco chopes que ele tomou quatro. Mariana olhou bem fundo nos olhos de Eduardo e concordou em pagar a conta, porém ia antes ao banheiro.

Já no banheiro, retocou o batom, pensando o que faria com aquele malandro. Ele era muito cara de pau, um aproveitador. Talvez fosse casado e queria uma amante para se divertir, desde que ela bancasse a brincadeira.

Deve ter me escolhido a dedo, pois notou a minha feiúra e fragilidade. Mais dela ele não iria se aproveitar não.

Notou que o uniforme de seu trabalho ainda estava em sua bolsa, para lavar em casa, na pressa esqueceu-se de tirar da bolsa. Resolveu trocar de roupa, vestindo o uniforme. Prendeu os cabelos e amarrou com a echarpe de seu pescoço. Deu um tchauzinho para o garçom amigo, se dirigiu para a saída, passando por trás de Eduardo que falava ao celular novamente. Pegou seu carro e se mandou com as lágrimas caindo pelo seu rosto. Definitivamente ela não tinha sorte na área amorosa. Mais não iria desistir, continuaria procurando a sua cara metade. Ainda bem que ela não havia comentado nada para seus colegas.

Após desligar o celular, Eduardo notou que sua companheira estava demorando no banheiro… Consultou à hora, Mariana deveria esta dentro daquele banheiro uns quinze minutos.

O garçom se aproximou da mesa novamente, esperando o pagamento da conta. Eduardo perguntou por sua companheira, no que o garçom avisou que ela já havia ido embora.

– Embora? Mais como?

– Indo. Saindo pela porta e indo embora…

Eduardo levou um baque, estremeceu até a alma.  Aquela moça frágil e feia havia lhe passado a perna. Logo nele, o malandro do pedaço.

Eduardo não teve outro jeito se não pagar a conta com o cartão do banco e com certeza iria estourar o limite de crédito.

Eduardo resmungou meio sem graça para o garçom que a moça comeu e bebeu e saiu de fininho e agora ele tinha que arcar com as despesas de alguém que nem conhecia direito.

– Não senhor. A moça já havia jantado e pagou a conta antes do senhor chegar. Essa conta é pela pizza que o senhor comeu sozinho e pelo chope que bebeu.

Foi ai que Eduardo notou a grosseria. De fato ela não havia tocado na comida.

Quando Eduardo chegou a casa, já passava das duas horas da manhã. Entrou de fininho em casa para não acordar a sua mulher, porém, Berta (de Felisberta), estava vendo TV e quis saber onde o marido estava até àquela hora. Malandro que é, jogou 171 em cima da mulher e lhe deu a bolsinha com o presente que ele havia comprado para ela.

cont. (post.III)

Kika

About Kika

Meu nome já não importa, mais meu apelido é Kika. Sou carioca da gema, do signo de peixes. Já passei da idade dos sonhos. Por incrível que possa parecer, ainda não descobri a minha missão e no momento não estou fazendo questão. Amo a natureza e todos os seus habitantes. Gosto de ir ao cinema, ao teatro. Quase sempre escuto o bom Blues. Procuro sempre me manter ocupada, isso me faz esquecer os problemas e a solidão. Não gosto de situações aborrecidas e tediosas e muito menos ter que ser simpática quando não o quero ser e nunca me importo com o que falam de mim ou pensam ao meu respeito. Sou direta e nunca faço rodeios. Tenho vários defeitos e não faço questão de corrigi-los. Sou assim e pronto! Desejo que você goste da minha NAVE e qualquer contato é só deixar o seu recado que eu retorno. Muita paz a todos!

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