Malandro Mané

MarianaMariana é uma mulher muito inteligente, poliglota, trabalha numa agência de publicidade, na área de edição. É dessas amigas para toda hora, simpática, risonha e de bom astral. Mariana só não foi dotada de beleza. Estatura mediana, um pouco gordinha, sem bumbum e com um rosto que não chama a atenção de ninguém se não fosse o nariz grande.

Mesmo assim, Mariana demonstra ser uma pessoa feliz. Ganha muito bem, tem seu carro, seu apartamento e uma vontade imensa de ter um homem pra chamar de seu.

Seus amigos sempre a convidam para as festas, as baladas e até para um happy night, o que Mariana aceita de muito bom grado. O chato é que Mariana acaba sempre sozinha, segurando velas e com muita vontade de dançar com alguém que fosse realmente seu príncipe. Era apresentada a vários amigos de seus amigos e nenhum se interessava por mariana.

Numa quinta feira, Mariana dispensou o almoço com os colegas de trabalho, teria que ir ao banco pagar suas contas. Já na fila do banco, notou que um homem a olhava insistentemente. Era um homem comum, magro, cabeça raspada e olhos de um verde amarelado. Mariana ficou em dúvida se seria para ela mesma aquele charme todo. Ficou feliz, com o coração acelerado ao notar que era para ela mesma a atenção do dito cujo. Correspondeu timidamente ao olhar, encorajando o seu paquera.

– Oi tudo bem?

– Oi… Tudo e você?

– Prazer. Meu nome é Eduardo e o seu?

– Mariana. Muito prazer

Após as apresentações, rolou aquele papo de cerca Lourenço típico do primeiro encontro.

– Vem sempre aqui… O que você faz… Mora onde… Etc.

Mariana notou que Eduardo era um homem simples, com pouca cultura, mais isso não seria problema para Mariana, afinal ela queria é ter um homem, um namorado, alguém que a desse carinho, amor. Ele seria completo se não fosse às gírias e o andar meio malandro de ser. Talvez com o tempo ela mudasse isso.

Trocaram telefones e marcaram para sexta feira as 07h00min, um chopinho num barzinho perto do trabalho que Mariana conhecia bem. Mariana mal podia esperar pela sexta feira. Chegou eufórica no trabalho, mais não quis comentar nada até que se firma-se a relação.

Pediu dispensa mais cedo no trabalho. Foi ao salão. Arrumou os cabelos, fez as unhas e uma limpeza de pele. Comprou roupas novas e levou o carro para lavar. Queria estar bem apresentável. Mariana chegou ao local combinado britanicamente. Escolheu uma mesa na varanda onde pudesse ter a visão da chegada de seu pretendente. Pediu um chope e ficou ali, sonhando com seu príncipe, ensaiando para não demonstrar interesse de mais.

As horas foram passando deixando Mariana apreensiva. Seria mais uma decepção? Mariana já havia bebido três chopes e comeu uma saladinha básica, pois estava com fome e não queria beber de estômago vazio, pois na euforia de se arrumar para o encontro percebeu que não havia comido nada. Já havia se passado uma hora e meia, com certeza ele não viria mais. Pediu a conta e já estava resolvida a ir embora quando avistou seu pretendente. Andar de malandro, camisa aberta até o peito e segurava uma bolsinha de uma perfumaria conhecida. De novo o coração de Mariana acelerou. Com toda certeza acontecera alguma coisa para o atraso e ele iria explicar. Ele teve a gentileza de lhe comprar um presente.

Eduardo sorriu e se dirigiu a Mariana, deu dois beijinhos no rosto e culpou o trânsito pelo atraso, já que viera da Baixada Fluminense. Acomodou a bolsinha presente na cadeira ao lado, se dirigiu ao garçom e pediu dois chopes.

Mariana estranhou que ele não desse o presente de imediato. Talvez ele fosse esperar um melhor momento.

PerfumeEduardo estava suado e olhava para os lados com muita freqüência. Mariana também percebeu o olhar de Eduardo para as mulheres bonitas, aquelas de bumbum grande e cabelos lisos até a cintura, proveniente da chapinha. Por mais que Mariana tentasse levar um papo legal, Eduardo demonstrava pouco interesse, respondia por monossílaba e bebia vorazmente. O que Eduardo queria mesmo saber era o que Mariana fazia, onde morava, se era solteira etc.

Mariana podia ser feia, mais burra ela não era. Começou também a fazer jogo duro e a não responder corretamente as perguntas de seu pretendente.

Em dado momento Eduardo sugeriu uma pizza, alegou que estava com um pouco de fome. Mariana disse que já havia jantado mais que comeria uma fatia com ele. Ao chegar à pizza, Eduardo nem esperou que Mariana se servisse, pegou logo duas fatias, encheu de ketchup mastigou vorazmente. Mariana já estava ficando decepcionada com o comportamento de Eduardo, afinal ela queria um namorado mais aquele estava mais pra um troglodita. Não é pecado nenhum, ser humilde, pobre, mais gentileza e delicadeza todos podem e devem ter.

cont. posts II

Kika

About Kika

Meu nome já não importa, mais meu apelido é Kika. Sou carioca da gema, do signo de peixes. Já passei da idade dos sonhos. Por incrível que possa parecer, ainda não descobri a minha missão e no momento não estou fazendo questão. Amo a natureza e todos os seus habitantes. Gosto de ir ao cinema, ao teatro. Quase sempre escuto o bom Blues. Procuro sempre me manter ocupada, isso me faz esquecer os problemas e a solidão. Não gosto de situações aborrecidas e tediosas e muito menos ter que ser simpática quando não o quero ser e nunca me importo com o que falam de mim ou pensam ao meu respeito. Sou direta e nunca faço rodeios. Tenho vários defeitos e não faço questão de corrigi-los. Sou assim e pronto! Desejo que você goste da minha NAVE e qualquer contato é só deixar o seu recado que eu retorno. Muita paz a todos!

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