A esmola de cada dia!

largo do MachadoMoro a trinta anos num bairro de classe média na cidade do Rio de Janeiro. A Maioria dos moradores são senhoras idosas e viúvas de situação financeira boa. Longe de serem velhas caquetes. Fazem ginásticas na praia, caminham, nadam, jogam voleibol. Nada de errado nisso se não fosse à super proteção que alguma dessas senhoras dão aos meninos de rua. Elas são as verdadeiras Anjas da Guarda desses meninos. Se por acaso você bater ou maltratar algum deles elas chamam a polícia e lá vai você em cana.

Também tem homens e mulheres pedintes. As mulheres estão sempre de lenço na cabeça com crianças pequenas no colo e os homens sempre com feridas nas pernas ou em cadeiras de rodas. Havia um que era cego desde que nasceu e pedia esmola no  bairro por quase uma década. Após entrar para uma religião ficou curado da noite para o dia, casou-se e foi morar num apartamento de luxo na Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio de Janeiro.

No feriado dos comerciários ( 15 de outubro), parte do comércio fechou, ficando apenas um mini mercado e uma farmácia aberta. Quando me dirigia preguiçosamente para esse mercado a fim de garantir o lanche da tarde, avistei de longe um desses pedintes. Um homem de cinqüenta anos aproximadamente, com a perna esticada no meio da calçada, enfaixada, com um carrinho de feira velho cheio de sacos e sacolas. Junto a ele estava um senhor mais idoso, vestindo bermuda, camisa pólo e essas sandálias de “Vem cá meu Puto”. Quando cheguei próximo a eles o meu MP3 parou de tocar ao procurar o aparelho no bolso da calça escutei a seguinte conversa em que o homem de bermuda dizia:

– Eu já me aposentei com oitocentos e cinqüenta reais, um cambalacho que um amigo fez pra mim, se não estaria ganhando um mísero salário mínimo.

No que o pedinte retrucou:

– Eu também me aposentei e estou ganhando esse mísero salário mínimo, mais aqui na rua eu chego a tirar por dia de duzentos a trezentos reais.

Claro! A conversa me interessou, mesmo porque em se tratando de dinheiro automaticamente fiz as contas matemáticas. Se ele fatura duzentos reais por dia, isso da um total de seis mil reais por mês. Quem ganha isso aposentado ou trabalhando duro por trinta dias? Fiquei ali fingindo consertar o MP3 enquanto escutava o restante da conserva sem tirar os fones de ouvido. Mas notei que eles não estavam interessados se eu estava escutando ou não, porque em nenhum momento eles me olharam.

Então o senhor de bermuda disse:

– E como eu faço:

– Você tem que vestir umas roupas velhas, deixar a barba por fazer e os pés sujos. Daí você pega um pedaço de fígado, suja a sua perna, passa carvão e suja também as gases. Procure um lugar que tenha muiê idosa e com grana, longe da sua casa para não ter perigo de você encontrar com um vizinho. Carrega umas sacolas velhas e um cobertor velho. Ou então você aluga uma cadeira de rodas e pronto.

Para mim foi o bastante, não precisei escutar mais nada e segui meu caminho com vinte reais na bolsa para tentar comprar algo para comer. Não tive nenhum arrependimento, porque não dou esmola, pois meu salário não da nem para sustentar minha família como ela merece.

mendigos no Lardo do Machado

Ontem, assisti o TELETOM e fiquei pensando como seriam distribuídos esses milhões e milhões de reais. Lembrei da briga da TV Globo com a Rede Record em que a Globo fora acusada de usar parte do dinheiro da arrecadação da “CRIANÇA ESPERANÇA” para construir sedes e outras coisinhas mais.

As três apresentadoras do TELETOM usavam jóias caríssimas e tentavam nos fazer acreditar que a miséria do país se deve a mim e a você que trabalhamos duramente, pagando nossos tributos com um pequeno salário. Tendo que usar hospitais públicos e remédio genéricos. Ir ao mercado com vinte reais e tentar matar a fome da família. Não quero dizer que a miséria do nosso país se deva a essas apresentadoras, mais ganhar um altíssimo salário para convencer ao povo a doar dinheiro para destino que não sabemos e não vemos é muito Bizarro.

E graça as senhoras idosas do meu bairro que a população de meninos de rua esta crescendo e tendo dinheiro para comprar qualquer tipo de droga e armas para a noite usar nas praças e nas esquinas. Assaltando qualquer um que passar e matando sem pena e sem piedade.

E você… Dá esmola?

Kika

About Kika

Meu nome já não importa, mais meu apelido é Kika. Sou carioca da gema, do signo de peixes. Já passei da idade dos sonhos. Por incrível que possa parecer, ainda não descobri a minha missão e no momento não estou fazendo questão. Amo a natureza e todos os seus habitantes. Gosto de ir ao cinema, ao teatro. Quase sempre escuto o bom Blues. Procuro sempre me manter ocupada, isso me faz esquecer os problemas e a solidão. Não gosto de situações aborrecidas e tediosas e muito menos ter que ser simpática quando não o quero ser e nunca me importo com o que falam de mim ou pensam ao meu respeito. Sou direta e nunca faço rodeios. Tenho vários defeitos e não faço questão de corrigi-los. Sou assim e pronto! Desejo que você goste da minha NAVE e qualquer contato é só deixar o seu recado que eu retorno. Muita paz a todos!

One thought on “A esmola de cada dia!

  1. MARIA DE FATIMA GOUVEIA MONTEIRO

    QUERIDA KIKA SO VC MESMA E Q TERIA CORAGEM DE CARA PARA FALAR SEM MEDO ESSA VERGONHA PORQ A POLICIA NAO RECOLHE ESSES MENINOS DE RUA DAI? SERA Q ELES NAO SABEM OU NAO QUEREM SABER? BJS E PAZ MARIA DE FATIMA G MONTEIRO

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

You may use these HTML tags and attributes:

<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>